A agressão sofrida pela fotógrafa do *Washington Post*, Heidi Levine, acabou em destaque na imprensa norte‑americana e provocou forte condenação, sobretudo entre os democratas. Contudo, o episódio não pode ser visto como um caso isolado; nos últimos meses, colonos judeus foram responsáveis por ataques a outros jornalistas. Esses incidentes surgem num momento em que a imagem de Israel perante o público dos Estados‑Unidos e dentro do próprio establishment político americano está em seu ponto mais baixo da história recente.
A perspectiva é de que a situação se agrave ainda mais após as eleições de meio de mandato, previstas para novembro. As projeções apontam para um controle democrático da Câmara dos Representantes e, possivelmente, do Senado. Caso os democratas conquistem ambas as casas, o poder de influência sobre a política externa dos EUA será sem precedentes. Eles poderiam retardar acordos de armamento já em tramitação nos comitês, modificar a ajuda anual que o Congresso aprova a Israel e até levar ao plenário projetos que restrinjam o envio de armas ou restabeleçam sanções contra os assentamentos, sanções que foram revogadas pela administração Trump.
Outra frente de pressão poderia surgir sobre a chamada “política de ambiguidade nuclear” de Israel. O Congresso poderia exigir esclarecimentos ao Executivo sobre a crença internacional de que Israel possui armas nucleares, colocando em risco a estratégia de dissimulação que tem protegido o país há décadas. O presidente Donald Trump, ainda que ainda tenha a prerrogativa de vetar leis, enfrentaria um cenário de veto recorrente, o que poderia gerar retaliações do Senado controlado pelos democratas, como bloqueio de indicações e dificultar a governabilidade nos últimos dois anos de seu mandato.
Dentro do próprio Partido Democrata, a crítica ao governo de Benjamin Netanyahu se tornou quase unânime. Mesmo os membros mais tradicionais e pró‑Israel, como o representante Gregory Meeks, da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, passaram a adotar postura mais cautelosa. Meeks, ao colocar um hold de US$ 2,8 bilhões sobre a venda de bombas, afirmou que a medida não diminui o apoio ao direito de defesa de Israel, mas reflete a responsabilidade do Congresso de garantir que armas financiadas pelos EUA sejam usadas de forma legal e responsável. Em abril, 40 dos 47 democratas do Senado apoiaram uma resolução para bloquear a venda de bulldozers militares a Israel, e apenas sete, entre eles o líder da minoria Chuck Schumer, se opuseram. Em julho, 103 deputados democratas votaram a favor de eliminar a ajuda militar anual ao país, enquanto 98 se mostraram contra.
Esses números revelam uma mudança profunda na opinião dos eleitores democratas. Uma pesquisa do Pew Research Center indica que 80 % dos democratas e independentes inclinados a esse partido têm uma visão desfavorável de Israel, salto significativo em relação aos 53 % de 2022. O tema também ganhou destaque nas primárias democratas, onde candidatos de tendências mais radicais têm usado a postura crítica a Israel como bandeira de campanha. Caso alguns desses candidatos triunfem nas eleições de novembro, a linha do partido tende a se endurecer ainda mais.
Para Israel, o cenário indica a necessidade de redobrar esforços diplomáticos junto ao Congresso, buscando alianças com legisladores que ainda defendam a segurança israelense e apresentando argumentos que reforcem a importância estratégica da parceria. Ao mesmo tempo, a comunidade judaica nos EUA deve estar atenta ao aumento de incidentes contra jornalistas e à retórica anti‑israelense, que pode se traduzir em pressões legislativas concretas. O futuro das relações EUA‑Israel, portanto, depende de como Washington lidará com a nova configuração política e de como Israel responderá a um Congresso possivelmente hostil, sem perder o apoio de setores ainda favoráveis à sua existência e segurança.
📖 Perspectiva Bíblica
“Bem-aventurada a nação cujo Deus é o Senhor, o povo que ele escolheu para sua herança.” (Salmos 33:12)
Fonte original: Israel faces a political tsunami in Washington — Israel Hayom
