Accessibility Tools

Israel divulga relatório sobre casamento infantil Yavne’el

O comitê criado pelo Ministério do Bem‑Estar e Assuntos Sociais de Israel para investigar o casamento infantil em Yavne’el, pequena cidade do norte com cerca de 5 mil habitantes, divulgou, após mais de três anos de trabalho, um relatório que revela a extensão e a gravidade do fenômeno. Os dados do Ministério da Saúde, apresentados ao grupo de investigação, apontam que entre 2000 e 2025 foram registrados 95 nascimentos de meninas menores de idade na comunidade. Quase um terço desses nascimentos – 29 – ocorreu nos últimos dois anos, de 2023 a 2025, e 35 % das mães tinham apenas 15 ou 16 anos quando deram à luz. O documento adverte que esses números provavelmente subestimam a realidade, já que há um esforço deliberado para ocultar as uniões.

A prática concentra‑se principalmente entre adolescentes de 15 a 17 anos dentro da comunidade hassídica de Breslov, que enxerga o casamento precoce como um objetivo religioso e educacional. As cerimônias de kiddushin (casamento judaico) são realizadas em segredo, com poucos convidados, e quando a polícia chega os participantes alegam tratar‑se de um simples “noivado”. Não há registro oficial imediato; apenas quando os cônjuges atingem a maioridade é que, em alguns casos, a união é inserida retroativamente nos documentos civis. As meninas que dão à luz são, então, cadastradas como mães solteiras, sem informação sobre o pai, o que lhes permite acessar benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social.

O relatório destaca ainda as enormes dificuldades enfrentadas pelas autoridades. Em 2020 foram abertas quatro investigações criminais sobre casamentos menores de idade, mas três foram arquivadas por falta de provas. Nos anos de 2024 e 2025 não houve abertura de novos casos, enquanto em 2026 nove investigações foram iniciadas e permanecem em andamento. No âmbito educacional, o comitê constatou que a questão do casamento infantil é tratada como “linha vermelha” pelas escolas da comunidade Breslov em Yavne’el, o que impede qualquer diálogo com o Ministério da Educação. Uma tentativa de um inspetor do ministério de inserir conteúdo pedagógico sobre o tema fracassou, revelando a falta de supervisão efetiva sobre instituições ultra‑ortodoxas que recebem financiamento parcial do Estado. Redes privadas de ensino, ligadas a figuras políticas, exercem controle dominante sobre essas escolas, dificultando a fiscalização.

A comissão, nomeada em junho de 2023, teve seu trabalho atrasado pela guerra iniciada em 7 de outubro de 2023. Dada a demora, os responsáveis optaram por publicar apenas um sumário das conclusões e das recomendações, em vez do relatório completo. Entre as propostas estão a promulgação de uma resolução governamental específica sobre casamento infantil, a criação de mecanismos de monitoramento mais rígidos para as escolas ultra‑ortodoxas que recebem recursos públicos, a exigência de registro imediato de todas as uniões matrimoniais e a implementação de programas de apoio às adolescentes grávidas, de modo a impedir a exploração econômica e a possível vinculação a crimes de tráfico humano. O documento alerta que, sem intervenções coordenadas entre segurança pública, saúde, educação e assistência social, a prática pode se expandir, colocando em risco a proteção dos direitos das menores e a integridade do Estado de Direito em Israel.


📖 Perspectiva Bíblica

“Não oprimirás o órfão, nem o que ainda está a caminho de ser; não tomes o que é de tua irmã, nem a coisa que lhe pertence.” (Êxodo 22:22‑23)

Fonte original: How a cult marrying off underage girls evades Israeli authorities — Israel Hayom

© 2025 IsraelAgency.com.br. Todos os direitos reservados.