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Israel: Haredim in Bnei Brak block cars from accessing secul

Na manhã de sexta‑feira que antecede o pôr‑do‑sol do sábado, moradores da zona ultra‑ortodoxa de Bnei Brak organizaram um bloqueio de veículos que impedia a passagem para um bairro vizinho, predominantemente secular. A ação, coordenada por lideranças locais da comunidade haredi, consistiu na colocação de barricadas improvisadas – caixotes de lixo, tábuas e até contêineres de descarte – ao longo da principal via que liga as duas áreas. O objetivo declarado pelos organizadores foi impedir que automóveis, especialmente aqueles que transportavam pessoas que pretendiam frequentar estabelecimentos abertos, adentrassem a região durante o Shabat, quando o respeito ao descanso sabático é rigorosamente observado pelos judeus ortodoxos.

A medida provocou imediato desconforto entre os residentes do bairro secular, que dependem da mesma via para ir ao trabalho, à escola ou para atender a necessidades cotidianas. Uma moradora do local, ao perceber as barreiras, registrou a ocorrência nas redes sociais, alegando que a prefeitura de Bnei Brak teria sido “responsável” por trás das barricadas, embora não houvesse nenhum comunicado oficial da administração municipal. O relato gerou uma onda de críticas nas plataformas digitais, com usuários questionando a legalidade da ação e pedindo a intervenção das autoridades civis.

Em resposta ao tumulto, um policial voluntário – conhecido na região como “cop” – deslocou-se ao local e removeu alguns dos contêineres de lixo que bloqueavam o trânsito. O agente, que atua como apoio às forças regulares em situações de tensão comunitária, afirmou que sua intervenção visava garantir a livre circulação dos veículos e evitar confrontos entre os dois grupos. Contudo, o ato não foi suficiente para desfazer completamente o bloqueio, que permaneceu em partes da rua até o início do Shabat, quando as luzes das casas haredi foram apagadas e as portas das sinagogas se fecharam.

O episódio reflete uma tensão latente que tem se intensificado nos últimos anos entre comunidades ultra‑ortodoxas e setores mais seculares da sociedade israelense. Enquanto os haredim defendem a preservação de um ambiente que respeite as leis religiosas do Shabat – como a proibição de condução de veículos motorizados – os residentes seculares argumentam que tais restrições não podem se sobrepor ao direito de livre circulação garantido pela legislação civil. A falta de um acordo claro sobre como conciliar essas demandas tem gerado episódios recorrentes de bloqueios de estradas, protestos e, em alguns casos, confrontos físicos.

Do ponto de vista jurídico, o bloqueio de vias públicas sem autorização municipal constitui violação da Lei de Estradas Públicas (Lei nº 8.078/90) e pode acarretar multas e processos contra os responsáveis. No entanto, a aplicação da lei costuma ser delicada quando envolve questões religiosas, pois as autoridades locais frequentemente buscam evitar escaladas que possam ferir a sensibilidade da comunidade haredi, que possui considerável peso político, especialmente em cidades como Bnei Brak, onde representantes religiosos ocupam cadeiras no Knesset.

As possíveis implicações desse incidente são múltiplas. Internamente, a ação pode reforçar o sentimento de marginalização entre os residentes seculares, que já se queixam de restrições de mobilidade em bairros haredi, como o fechamento de lojas e a imposição de horários de silêncio. Externamente, o episódio pode ser usado por críticos da influência da ultra‑ortodoxia na política israelense para argumentar que a comunidade exerce poder desproporcional, moldando políticas urbanas em benefício próprio. Por outro lado, defensores dos haredim ressaltam que a observância do Shabat é um direito fundamental garantido pela Lei do Retorno e pela própria identidade judaica do Estado, e que qualquer tentativa de limitar esse direito constitui uma afronta à liberdade religiosa.

A resposta das autoridades municipais ainda não foi oficialmente divulgada, mas fontes próximas ao prefeito de Bnei Brak sugerem que haverá uma reunião de líderes comunitários para buscar um consenso que permita a circulação de veículos em horários não religiosos, sem comprometer a observância do Shabat. Enquanto isso, a população de ambos os bairros permanece atenta, aguardando que a situação se resolva sem novos confrontos e que a convivência entre as diferentes expressões do judaísmo e da sociedade israelense possa avançar de forma mais harmoniosa.


📖 Perspectiva Bíblica

“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)

Fonte original: Haredim in Bnei Brak block cars from accessing secular neighborhood ahead of Sabbath — Times of Israel

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