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Israel: Hezbollah chief again rejects Lebanon-Israel deal, r

O chefe da ala política do Hezbollah, Naim Qassem, reiterou nesta semana a sua recusa ao acordo‑quadro proposto pelos Estados Unidos para normalizar as relações entre o Líbano e Israel, qualificando a iniciativa como “ilegal, ilegítima e humilhante”. A declaração foi feita em um pronunciamento ao lado de representantes do movimento e de autoridades libanesas, logo após a divulgação de um documento preliminar elaborado por Washington, que prevê a criação de uma zona desmilitarizada ao longo da fronteira, a devolução de terras ocupadas por Israel em 1967 e a abertura de rotas comerciais que, segundo os diplomatas americanos, poderiam impulsionar a economia libanesa.

Para Qassem, a proposta ignora a realidade política e militar do Líbano, sobretudo o papel do Hezbollah como força de resistência contra a ocupação israelense. “Não podemos aceitar um acordo que nos coloca em posição de subserviência, que nega o direito do povo libanês de defender sua soberania e que, ao mesmo tempo, tenta apagar a memória das agressões israelenses ao longo de décadas”, afirmou o dirigente. Ele acrescentou que a iniciativa dos EUA viola a Constituição libanesa, que proíbe qualquer tratado que comprometa a integridade territorial do país sem a aprovação do Parlamento.

A recusa do Hezbollah tem implicações profundas para o processo de paz na região. Primeiro, demonstra que, apesar dos esforços de Washington e de alguns setores moderados do Líbano, a influência do grupo xiita permanece decisiva nas decisões de política externa do Estado libanês. Segundo, reforça a percepção de que qualquer acordo que não inclua garantias de segurança para o Hezbollah – como a retirada de armas e a limitação da presença de forças israelenses no sul do Líbano – será rejeitado de plano. Essa postura dificulta ainda mais a já complexa tarefa de equilibrar os interesses de Beirut, de Tel Aviv e das potências ocidentais.

Do lado israelense, a resposta oficial foi de cautela. O Ministério das Relações Exteriores de Israel destacou que a proposta americana visa “paz duradoura e segurança para ambos os povos”, mas reconheceu que a aceitação libanesa depende de um consenso interno que, no momento, parece distante. Em declarações públicas, autoridades israelenses reiteraram que a segurança das fronteiras do país não pode ser comprometida e que qualquer acordo deverá garantir a neutralização de grupos armados que lançam foguetes contra cidades israelenses.

Analistas regionais apontam que a postura inflexível do Hezbollah pode levar a um impasse prolongado, mantendo a fronteira sul do Líbano como um ponto de tensão constante. Ao mesmo tempo, o bloqueio de veículos por membros da comunidade haredi em Bnei Brak, que impediram a passagem de carros em um bairro secular antes do sábado, ilustra como questões internas e religiosas podem se entrelaçar com a dinâmica geopolítica, aumentando a complexidade do cenário. Se o acordo não avançar, há risco de escalada de incidentes fronteiriços, que poderiam arrastar outras facções libanesas e até mesmo envolver potências regionais como o Irã.

Em suma, a rejeição de Naim Qassem ao acordo‑quadro dos EUA evidencia que, sem a participação efetiva do Hezbollah e sem garantias claras de soberania e segurança, qualquer tentativa de normalização entre Líbano e Israel permanecerá estagnada. O futuro das negociações dependerá, portanto, de uma reconfiguração dos termos que contemple tanto as aspirações de paz de Washington quanto as exigências de legitimidade e dignidade defendidas pelos atores libaneses mais influentes.


📖 Perspectiva Bíblica

“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)

Fonte original: Hezbollah chief again rejects Lebanon-Israel deal, refuses ‘surrender’ — Times of Israel

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