O primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu com veemência a uma declaração feita pelo presidente francês Emmanuel Macron, que considerou “grotesca” e “absurda”. Em entrevista concedida ao programa “Le Grand Journal”, Macron afirmou que o Hamas “não governa” a Cisjordânia e que, portanto, o grupo terrorista nunca teria atuado de forma organizada naquele território. A frase, ao ser reproduzida na imprensa francesa, gerou forte reação em Tel Aviv, onde o governo israelense classificou a observação como uma distorção da realidade e um desrespeito à memória das vítimas palestinas e israelenses.
A controvérsia surgiu poucos dias depois de um atentado em que um cidadão israelense, também portador de cidadania francesa, foi morto a tiros por um militante palestino na Cisjordânia. O incidente reacendeu o debate sobre a presença e a influência do Hamas fora da Faixa de Gaza, região onde o grupo controla o governo desde 2007. Autoridades de segurança israelenses afirmam que, embora o Hamas não detenha autoridade formal na Cisjordânia, mantém uma rede de militantes e simpatizantes que operam clandestinamente, coordenando ataques contra civis e forças de segurança israelenses. Essa rede, segundo o ex‑chefe da Shin Bet, Yitzhak Harel, seria responsável por dezenas de incidentes nos últimos anos, incluindo assassinatos, sequestros e disparos contra colonos e soldados.
Macron, ao enfatizar que o Hamas “não governa” a Cisjordânia, pretendia, segundo o porta‑voz do governo francês, esclarecer que o grupo não exerce controle administrativo ou institucional no território, ao contrário da Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada por Mahmoud Abbas. No entanto, a formulação acabou sendo interpretada como se o Hamas não tivesse nenhuma presença operacional, o que contraria relatórios de inteligência israelense e de agências ocidentais que apontam para a existência de células armadas do Hamas em cidades como Nablus, Jenin e Hebron.
Netanyahu, ao se manifestar, destacou que a negação da presença do Hamas na Cisjordânia “ignora fatos comprovados” e “despreza o sofrimento das vítimas”. O primeiro‑ministro ressaltou que Israel tem mantido um esforço constante de cooperação com a ANP para conter a expansão da violência, mas que a recusa de reconhecer a ameaça do Hamas dificulta a formulação de políticas de segurança eficazes. Ele também advertiu que declarações que minimizam a atuação do grupo podem embaraçar as iniciativas diplomáticas de Israel, especialmente no contexto de negociações de paz e de acordos de segurança com a comunidade internacional.
A repercussão política da controvérsia tem implicações internas e externas. Internamente, o episódio reforça a pressão sobre o governo de Netanyahu para demonstrar firmeza diante das ameaças terroristas, ao mesmo tempo em que alimenta críticas de opositores que acusam o governo de usar o medo para justificar políticas de expansão de assentamentos. Externamente, a disputa pode afetar as relações franco‑israelenses, que já atravessam momentos delicados devido a divergências sobre a política de ocupação e os direitos humanos. O Ministério das Relações Exteriores de Israel solicitou a Macron uma retratação pública, argumentando que a “precisão dos fatos” é essencial para um diálogo construtivo.
Analistas de política externa sugerem que a controvérsia pode levar a um endurecimento da postura francesa em fóruns internacionais, como a ONU, onde Paris tem defendido resoluções que condenam a expansão de assentamentos e pedem o fim da ocupação. Por outro lado, a reação israelense pode incentivar outros aliados, como os Estados‑Unidos, a reafirmarem publicamente o reconhecimento da ameaça do Hamas na Cisjordânia, reforçando a cooperação em inteligência e segurança.
Em síntese, a declaração de Macron, ao negar a operação do Hamas na Cisjordânia, provocou uma resposta enérgica de Netanyahu, que enfatizou a realidade dos ataques terroristas e a necessidade de reconhecimento internacional da ameaça. O episódio evidencia as tensões entre a narrativa política francesa, que busca diferenciar governança de presença operativa, e a percepção israelense, que insiste na existência de uma rede ativa do Hamas na região. As consequências podem reverberar nas relações bilaterais, nas discussões sobre segurança regional e nas futuras negociações de paz entre israelenses e palestinos.
📖 Perspectiva Bíblica
“Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor; mas os que praticam a verdade são o seu deleite.” (Provérbios 12:22)
Fonte original: Netanyahu decries Macron’s ‘grotesque’ claim that Hamas ‘never operated’ in West Bank — Times of Israel
