Benjamin Netanyahu chega a Nova Iorque para a Assembleia Geral das Nações Unidas com dois temas centrais que devem marcar seu discurso: o aumento do antissemitismo global e a ameaça iraniana. O primeiro ponto será a denúncia de que o ódio ao povo judeu tem se intensificado, em parte alimentado por declarações de autoridades internacionais, como o prefeito de Nova Iorque, Eric Adams, e por um clima de hostilidade que se manifesta nas próprias instituições da ONU. O primeiro‑ministro israelense pretende apontar a “dobradinha” de condenações e tratamento parcial que o Estado de Israel recebe nos fóruns internacionais, acusando-os de atribuir a ele a culpa de todas as crises mundiais. Ao fazer isso, Netanyahu reforça a necessidade de uma postura mais firme da comunidade internacional contra o antissemitismo, pedindo que os organismos multilaterais adotem mecanismos mais efetivos de combate ao discurso de ódio e à violência contra judeus.
O segundo eixo do discurso volta‑se ao Irã, cuja política nuclear tem sido o foco de tensão desde a invasão de fevereiro passado, quando Israel, ao lado dos Estados Unidos, iniciou um conflito aberto contra Teerã. Netanyahu pretende usar a tribuna da ONU para anunciar, de forma inédita, a intenção de “derrubar” o regime iraniano. Até então, o líder israelense evitava declarações tão explícitas, mas, segundo fontes de inteligência de Washington e Jerusalém, o governo americano e o gabinete israelense acreditam que o Irã está à beira do colapso, especialmente se for mantida a pressão econômica, sanções rigorosas e o bloqueio das redes de financiamento da Guarda Revolucionária Islâmica. As avaliações apontam para um possível desmantelamento do regime entre o início e o meio de 2027, e Netanyahu pretende alinhar seu discurso a esse cronograma, enviando uma mensagem direta ao povo iraniano, que tem manifestado o desejo de mudança.
Além da retórica contra Teerã, o discurso servirá como um “discurso de campanha” interno para o eleitorado israelense. Netanyahu pretende apresentar as transformações estratégicas ocorridas no Oriente Médio desde o ataque de 7 de outubro, destacando a diminuição da ameaça do chamado “eixo iraniano”. Ele buscará abrir novas portas diplomáticas com o Líbano e outros países árabes, enfatizando que a aliança entre Irã e grupos como o Hezbollah está enfraquecida. Essa abordagem visa consolidar o apoio interno ao governo, ao mesmo tempo em que projeta uma imagem de liderança regional capaz de garantir a segurança de Israel.
A agenda de Netanyahu em Nova Iorque será extremamente curta – menos de 24 horas – e ainda não está totalmente definida. Ele deve desembarcar na manhã de quinta‑feira e, antes do almoço, encontrar‑se com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para coordenar a resposta conjunta ao Irã e reforçar a coalizão “Escudo das Américas”, criada para enfrentar ameaças regionais. A reunião ocorre em um contexto em que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice‑presidente JD Vance também mantêm contato próximo com Netanyahu, sinalizando um alinhamento político e militar entre Washington e Jerusalém.
As implicações desse discurso podem ser amplas. Internacionalmente, a acusação aberta de que Israel pretende “derrubar” o regime iraniano pode intensificar a retórica diplomática e gerar reações de países não alinhados com os EUA, como a Rússia e a China, que tradicionalmente apoiam Teerã. Na esfera regional, a tentativa de aproximar o Líbano e outros estados árabes de Israel pode abrir caminho para acordos de segurança e econômicos, reduzindo a influência iraniana no Levante. Internamente, ao conectar a luta contra o antissemitismo a uma política externa assertiva, Netanyahu procura reforçar seu legado como defensor do povo judeu e consolidar sua posição política de cara para as próximas eleições. Caso a previsão de colapso iraniano se confirme, Israel poderá se ver em uma posição vantajosa para redefinir o equilíbrio de poder no Oriente Médio, mas também terá de gerir as possíveis consequências de um vácuo de poder que poderia gerar instabilidade e novos conflitos.
📖 Perspectiva Bíblica
“Defendei o direito dos oprimidos; fazei justiça ao pobre e ao necessitado.” (Provérbios 31:8)
Fonte original: Countdown in Tehran: Inside Netanyahu's high-stakes UN gamble — Israel Hayom
