Os israelenses acordaram nesta quarta-feira diante de um cenário político extremamente complexo, após a divulgação dos primeiros resultados da eleição para a Knesset. As pesquisas de saída dos canais Kan 11 e Channel 13 indicavam um empate técnico de 51 a 51 entre os dois grandes blocos, enquanto o Channel 12 projetava uma vitória mínima do bloco liderado por Benjamin Netanyahu, do Likud, com 52 cadeiras contra 49 do bloco opositor. Contudo, nenhum dos agrupamentos chegou perto dos 61 assentos necessários para garantir maioria absoluta na câmara de 120 vagas.
A apuração parcial, que chegou a cobrir cerca de 40 % das urnas, mostrou inicialmente o bloco de Netanyahu com 57 cadeiras, enquanto o bloco da oposição, encabeçado por Gadi Eisenkot, ficava em 47. Quando a contagem avançou para 66 % dos votos, o placar ajustou‑se para 54 a 48, mas a diferença permanecia insuficiente para formar governo sem apoio externo. As projeções permanecem estáveis: ambos os lados precisarão da colaboração dos partidos árabes, que, embora não façam parte dos blocos principais, detêm 16 cadeiras no cômputo preliminar – 12 da Joint List e 4 da Ra’am (Lista Árabe Unida).
O Likud manteve-se como a maior bancada individual, com 28 assentos, seguido de perto pelo partido Yashar! de Eisenkot, que conquistou 21 cadeiras, superando as expectativas iniciais e consolidando-se como a principal alternativa ao governo netaniany. Outros partidos que garantiram representação foram o Yisrael Beytenu de Avigdor Lieberman e o United Torah Judaism, ambos com 8 cadeiras, além de alianças como Shas, Otzma Yehudit e a coalizão Religious Zionism‑Zehut, cada uma com 7 assentos. Partidos menores – Amcha Yisrael, Reservists‑Economic e The Haredi Public – não conseguiram ultrapassar o limiar eleitoral e ficarão fora da nova legislatura.
A impossibilidade de alcançar a maioria implica que a formação de coalizão exigirá negociações delicadas com os partidos árabes, que tradicionalmente mantêm posições críticas ao governo de Netanyahu. Eisenkot, ex‑chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e líder do bloco de mudança, tem se mostrado reticente em aceitar apoio árabe, argumentando que tal aliança comprometeria sua agenda de segurança e identidade nacional. Essa postura dificulta ainda mais sua rota ao poder, pois, sem a colaboração árabe, seu bloco permanecerá aquém dos 61 assentos necessários.
Para Netanyahu, o impasse pode ser vantajoso. Enquanto as negociações se arrastam, ele permanece como primeiro‑ministro interino, mantendo controle sobre a agenda governamental e a segurança nacional. Essa posição lhe confere tempo para buscar acordos pontuais com partidos menores ou para explorar a possibilidade de um governo de minoria que, embora dependa de abstências favoráveis, ainda exigiria algum grau de apoio dos partidos árabes. Caso as negociações fracassem, a alternativa seria a convocação de novas eleições, cenário que o primeiro‑ministro tem evitado ao máximo, dado o risco de perder ainda mais apoio.
Em suma, o panorama atual revela um parlamento fragmentado, onde nenhum dos blocos tradicionais detém maioria clara. A chave para a formação do próximo governo reside nos 16 assentos árabes, cuja decisão de apoiar ou abster-se poderá definir se Netanyahu permanecerá à frente, se Eisenkot conseguirá romper o bloqueio ou se Israel terá de retornar às urnas. O desenrolar das negociações nas próximas semanas será decisivo para a estabilidade política e para a condução das políticas de segurança e diplomacia que o país enfrenta em um contexto regional cada vez mais volátil.
📖 Perspectiva Bíblica
“Quando há muitos conselheiros, há segurança; mas com o conselho precipitado há ruína.” (Provérbios 11:14)
Fonte original: Partial count gives Netanyahu's bloc 54 seats to Eisenkot's 48 — Israel Hayom
