Houthis no Iêmen: Gênio ou Demônio da Lâmpada?

Alguns meses atrás, os noticiários em todo mundo anunciaram festivamente a volta das conversações entre o governo da Arábia Saudita e o governo do Irã. O título acima parece assustar e confundir ao mesmo tempo, mas a palavra Jin em árabe e Gênio em português, tem uma conotação terrível para a cultura árabe. Enquanto em português, por detrás da palavra gênio se esconde uma figura mitológica simpática, e que realiza os desejos de quem tem a lâmpada mágica. Tanto no contexto árabe quanto em Israel, o sentido é de shed, ou seja, um demônio. E depois que se libera ele após se cumprirem apenas três desejos, o mesmo fica livre para tornar a vida dos outros um inferno. Pois é, o mesmo pode ser dito sobre a política de apoio a grupos terroristas em conflitos.

Os Estados Unidos por exemplo armaram o Afeganistão contra o soviéticos, depois disso surgiu o Talibã que tornou a região um inferno para os próprios americanos. Os israelenses afrouxaram quando surgiu o Hamas, para este fazer frente a Autoridade Palestina e enfraquecê-la. Agora o Hamas é uma das maiores ameaças aos israelenses. No caso da Arábia Saudita, os iranianos armaram os rebeldes, e agora está difícil para fazer o gênio(ou demônio) voltar para a lâmpada mágica. Por mais que os sauditas queiram negocias com os iranianos, o terrorismo é um vício, é como uma anorexia, ou um drogado que sempre volta ao mesmo hábito. Portanto, agora é uma questão de tempo até estes mesmos Houthis do Iêmen, se voltarem contra os próprios iranianos.

Arábia Saudita: Interceptamos um míssil balístico nos céus de Riad

Os disparos de mísseis contra a capital da Arábia Saudita, demonstram que nem mesmo negociações entre o Irã e os sauditas são capazes de afugentar a ira no gênio Houthi. Todas as correntes terroristas um dia se levantam contra seus próprios aliados. O terrorismo é o vício pela violência, e sem ela, não há justificação para a sua existência. É por isso que os terroristas re-inventam seus inimigos e seus alvos, não importando se já foi um dia aliado ou não. Bem como o “gênio da lâmpada” o desejo deles é sempre destruir aqueles que podem libertá-lo.

O Ministério da Defesa da Arábia Saudita anunciou que um míssil balístico está sendo interceptado nos céus da capital Riad, após ser lançado do Iêmen. É importante salientar que estes ataques estão se tornando uma constante e que os mesmos Houthis foram os responsáveis pelos ataques contra as refinarias sauditas em 2019. De lá para cá, não foram poucos os ataques contra a capital saudita também.

No ataque de ontem, fragmentos do míssil caíram em bairros residenciais da cidade, mas de acordo com o anúncio oficial nenhum dano foi feito. A Arábia Saudita foi acusada de lançar um míssil pelos rebeldes Houthis no Iêmen, violando o direito internacional e, ao mesmo tempo, deixou claro que tomará medidas dissuasivas contra eles.

As cidades e bases militares sauditas próximas à fronteira com o Iêmen estão sob constante ameaça de foguetes e mísseis, em meio a uma longa operação militar liderada pela Arábia Saudita e a coalizão árabe contra os rebeldes Houthi.

Houthi, uma ameaça até mesmo para Israel

Talvez você possa estar se perguntando, como podem os Houthis serem uma ameaça para o Estado de Israel? Pois é, parece difícil mas não é. Em primeiro lugar os Houthis já demonstraram capacidade de atacar com drones, alvos centenas de quilômetros distantes de seu território. Em segundo lugar, o uso de mísseis balísticos usados contra Riad também é uma prova da capacidade deles. Porém o maior perigo não é de um ataque direto, e sim ataque as embarcações israelenses que trafegam no Oceano Índico e no Mar Vermelho.

Em Israel não descartam nenhuma possibilidade e as Forças de Defesa de Israel já tem cenários preparados para caso este perigo venha a se concretizar. Felizmente, até agora, os Houthis não fizeram nenhum ataque direto ou indireto contra Israel.