A Resolução da ONU e o Canteiro de Lentilhas

por Rav J. Pietro B. Nardella-Dellova
da Sinagoga Sêh HaElohim-Scuola

Prezados chaverim,
É lamentável a Resolução da ONU (veja comentário de Marcos Guterman, abaixo, para entender este texto) por tudo que representa e espelha!

Mas, não devemos nos esquecer que a ONU não é um organismo em si mesmo, mas o resultado do encontro de países que em determinado momento estão em determinadas políticas. Vejam o exemplo do Brasil (votando a favor da Resolução) que em outros tempos teve voto determinante para a re-Criação do Estado de Israel.

Os outros países, incluindo árabes e muçulmanos, são os mesmos de sempre, os que historicamente se colocam contra Israel, alguns dos quais não apenas contra o Estado Israel, mas contra nós Judeus. Enfim, já nos são conhecidas suas políticas anti-semitas e os nefastos desdobramentos da mesma! Além disso, é evidente o desvio de foco, pois tais países (os que votaram a favor desta Resolução estúpida), incluindo aí a “Terra de Santa Cruz” (Brasil) devem muito, mas muito mesmo, em relação ao que sejam Direitos Humanos! Dívidas de hoje e de ontem, de caráter impagável!

O que leio, então, é uma Resolução “anti-semita” de países cujas políticas são publicamente anti-semitas e anti-direitos humanos e, dessa forma, creio que uma manifestação e um trabalho do Corpo Diplomático de Israel junto aos países que se manifestaram a favor da Resolução da ONU, colocando Israel no foco negativo internacional e, sem interpretação inocente, a todos nós judeus, vez que Israel é uma dimensão política do que somos individualmente em nossos corpos, almas, espíritos e relações interpessoais.

Como bem lembrado por Guterman, os vários países que violam, incessante e cotidianamente, os Direitos Humanos, estão sendo agraciados pelas “bênçãos da ONU”, inclusive a Líbia, sim, a Líbia! E com isso, ficam legitimados a “proclamar” o que queiram contra Israel!

Sugiro, também, uma manifestação pública (com abaixo-assinado) dirigida à ONU e, no nosso caso, também ao Itamarati, com veemente repúdio a essa “escolha” negligente que se faz de Israel como centro de atenção internacional, em chave negativa! A Resolução é injusta, cretina e vergonhosa e, diante de tanta veemência “ONUFICADA” cabe, com certeza, uma manifestação dos interessados em Paz, Justiça e Direito!

O que temos é o nosso eterno “canteiro de lentilhas de Mélech David”, e o que faz a história, o que cria condições propícias ou não, o que permite a insanidade ou justiça, é a ação ou a omissão, o dizer ou o calar! Qualquer alma judaica, qualquer alma simplesmente humana e piedosa, em qualquer lugar, em qualquer canto, falando qualquer língua, deve manifestar-se quando forças contrárias a Israel e ao povo que representa, se concentram em determinado tempo/espaço e apontam suas lanças contra quem simplesmente quer viver em Paz!

Mas, temo ainda, que o silêncio imperdoável, a fraqueza de ações concretas e a fragilidade de governo, possam ser o prenúncio de tempos difíceis para quem quer seja, que se faça identificar com “maguen David”. As fragilidades começam nas rachaduras da “muralha” para depois, não muito depois, alcançarem o centro, o Beit HaMikdash, e tirarem a fonte de força e inteligência!

Por isso mesmo, à luta, concreta e decidida, efetiva e pontual, inteligente e eficaz! Jamais devemos ficar à margem ou aceitar ser o “centro” negativo das atenções internacionais. Jamais ficar escondidos enquanto “os outros” decidem sobre nós, dizem sobre nós e nos rotulam! Se temos algo a fazer, façamo-lo rapidamente, no lugar e tempo em que nos encontramos, ainda que seja uma justa pedrinha, certeira, na testa de um gigante indolente e falador!

Shalom a todos nas Bênçãos do Eterno!

© Rav J. Pietro B. Nardella Dellova

São Paulo, 2 de julho de 2007 (16 Tamuz 5767) [“por acaso”, véspera de Jejum de Shivá Assar Be-Tamuz, dedicado à lembrança da destruição das Muralhas de Jerusalém,. E “por acaso” em semana de Parashá de Pinchás, entre Balak e Matot-Massei (Bemidbar 22: 2 a 36:13)]

© Rav J. Pietro B. Nardella Dellova, 44, Mestre em Direito pela USP (A Crise Sacrificial do Direito: um estudo de René Girard, Martin Buber e Yeshua). Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP (A Palavra Como Construção do Sagrado: um estudo da Poesia em Heidegger e Osman Lins). Pós-graduado em Direito Civil (Os Direitos da Personalidade). Pós-graduado em Literatura Brasileira (A Palavra Multifacetada: do grau zero e outros graus da palavra). Formado em Filosofia e em Direito. Poeta e Membro da União Brasileira de Escritores – UBE. Autor dos livros: AMO, NO PEITO e ADSUM. Ex-membro da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/SP. Darsham (predicatore) e Mestre (Rav) da Sinagoga Sêh HaElohim-Scuola (originada da Sinagoga Scuola (Beit HaMidrash), Lazio, Itália). Membro ativo da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação dos Advogados de São Paulo. Consultor e Palestrista. Professor de Direito Civil, Ética e Filosofia do Direito em São Paulo. Coordenador e Professor dos Cursos de Direito da Faculdade de Jaguariúna e da Faculdade Policamp. Coordenador e Professor dos Cursos de Pós-graduação em Direito Empresarial das mesmas Instituições, em SP.

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NOTÍCIA DA RESOLUÇÃO DA ONU
INACREDITÁVEL!!!! EM QUE MUNDO ESTAMOS VIVENDO???

O estranho Conselho de Direitos Humanos da ONU, por Marcos Guterman,

Seção: ONU às 19:33:40.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU decidiu que Israel será o único país do mundo cujas violações aos direitos humanos serão tema permanente na agenda da organização. Isso mesmo. Nenhum outro país terá esse privilégio. Somente Israel.
Por mais que o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, se empenhe em encarcerar seus inimigos políticos e matar seu povo de fome, por mais que as milícias islâmicas do Sudão cometam genocídio em Darfur, por mais que o regime iraniano persiga jornalistas, por mais que Havana fuzile dissidentes políticos, por mais que os EUA abusem de seus presos em Guantánamo, por mais que a Tchetchênia seja um inferno, por mais que os curdos sejam massacrados pelos turcos, por mais que Chávez dificulte a liberdade de expressão na Venezuela, por mais que o Brasil continue a matar gente inocente dentro das delegacias, por mais que a China controle a vida de seus cidadãos, por mais que a Coréia do Norte imponha um regime de terror à sua população, Israel foi escolhido como o único país do mundo para o qual a atenção do Conselho de Direitos Humanos da ONU estará continuamente voltada.
A impressionante decisão do tal conselho da ONU não se limitou a isso. Ela incluiu também a remoção de Cuba e Belarus, notórios violadores de direitos humanos, da lista de países sujeitos a investigação especial.
A cereja do bolo foi a nomeação da Líbia – sim, a Líbia, cuja ditadura manda prender mulheres pelo crime de serem estupradas – para chefiar a comissão anti-racismo do conselho em 2009, como conta o Los Angeles Times.
Votaram a favor da resolução, além dos países árabes e muçulmanos, Brasil , China, Cuba, Equador, México, Rússia, Sri Lanka, Filipinas, Guatemala e Índia. O Canadá votou contra. Os EUA, que não integram o conselho, acusaram o órgão de ter uma “obsessão patológica” por Israel. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por sua vez, limitou-se a dizer que ficou “desapontado” com a decisão.

por Marcos Guterman

Prof. Nardella-Dellova