A administração de Joe Biden está, segundo informações divulgadas nos últimos dias, elaborando um plano de longo prazo que seria colocado em prática somente após a resolução de um eventual conflito entre Israel e Irã. O projeto, ainda em fase de concepção, tem como objetivo principal a criação de uma ampla aliança regional que possa conter a influência iraniana no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que amplia e consolida os Acordos de Abraão, iniciativa diplomática iniciada em 2020 que normalizou relações entre Israel e diversos países árabes, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão.
A ideia de um “plano pós-guerra” foi inicialmente sugerida por Donald Trump, que, ainda que já fora do cargo, afirmou a alguns de seus aliados que pretendia desenvolver “algo muito maior” para o Oriente Médio depois de um eventual confronto com o Irã. No entanto, a proposta de Washington não se baseia apenas em uma visão pessoal do ex‑presidente, mas reflete uma estratégia mais ampla da política externa americana. O Departamento de Estado, em conjunto com o Pentágono, tem analisado diferentes cenários de segurança que incluam a possibilidade de um conflito direto entre Israel e Teerã, e está preparando respostas diplomáticas, econômicas e militares que possam ser acionadas rapidamente.
Um dos pilares desse plano seria a expansão dos Acordos de Abraão, que já demonstraram capacidade de gerar cooperação em áreas como comércio, tecnologia, turismo e segurança. A proposta inclui a inclusão de novos parceiros árabes, como Arábia Saudita, Omã e até mesmo o Qatar, que ainda não assinaram acordos formais com Tel Aviv. A lógica subjacente é que, ao integrar esses países a uma estrutura de segurança coletiva, seria possível criar um bloco capaz de isolar o Irã e limitar seu apoio a grupos como o Hezbollah, Hamas e as milícias xiitas no Iraque e no Líbano.
Além da dimensão diplomática, o plano prevê um forte componente de apoio militar e de inteligência. Washington pretende reforçar a presença de forças americanas na região, modernizar a infraestrutura de defesa antimísseis em países aliados e facilitar a transferência de tecnologia militar avançada para Israel e para os novos parceiros árabes. A ideia é que, em caso de escalada, haja um “escudo” coordenado que permita respostas rápidas e coordenadas, reduzindo o risco de uma guerra de larga escala que poderia envolver outras potências, como a Rússia ou a China.
O cronograma do projeto ainda está indefinido, mas há consenso entre os estrategistas de que sua implementação só será viável após as próximas eleições nos Estados Unidos e em Israel. A administração Biden ainda busca consolidar sua maioria no Congresso, enquanto o governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, tenta garantir a reeleição em um cenário político volátil. Essa dependência de resultados eleitorais cria uma incerteza adicional sobre o momento exato em que o plano será oficialmente anunciado e colocado em prática.
As possíveis implicações desse esforço são múltiplas. Para o Irã, a perspectiva de um bloco regional hostil poderia acelerar sua busca por capacidades nucleares e por alianças com potências como a Rússia, aumentando a tensão geopolítica. Para os países árabes que ainda não aderiram aos Acordos de Abraão, a proposta pode representar uma oportunidade de diversificar suas parcerias econômicas e de segurança, mas também pode gerar resistência interna de grupos que veem Israel como inimigo histórico. No âmbito interno dos EUA, a iniciativa pode ser utilizada como argumento de política externa robusta, reforçando a imagem de um governo que busca estabilidade global, embora também possa gerar críticas de setores que consideram a estratégia excessivamente intervencionista.
Em suma, o que se desenha é um esforço coordenado dos Estados Unidos para transformar o panorama de segurança do Oriente Médio, criando uma aliança que contenha o Irã e, simultaneamente, consolide a normalização entre Israel e o mundo árabe. O sucesso da empreitada dependerá não apenas da vontade política dos governos envolvidos, mas também da capacidade de superar obstáculos internos, como disputas eleitorais, pressões internas nos países árabes e a reação do próprio Irã, que certamente buscará contrabalançar qualquer tentativa de isolamento regional.
📖 Perspectiva Bíblica
“Paz seja sobre ti, e prosperidade sobre o teu povo; eu também te farei prosperar, diz o Senhor.” (Jeremias 29:7)
Fonte original: US said drafting postwar plan to create alliance against Iran, expand Abraham Accords — Times of Israel
