Shabbat, uma questão de fé e não de dia

Todos os anos sou questionado diversas vezes em relação a questão do Sábado. São cristãos querendo se assegurar que podem continuar seus cultos nos domingos, judeus alegando que os cristãos não cumprem a Torah. Outros alegam que encontraram no judaísmo messiânico sua nova religião ou fé e agora se sentem na obrigação de cultuar no Sábado e não no Domingo. Por estes e muitos outros motivos é que o meu desejo aqui é trazer uma reflexão séria e profunda sobre esta questão que incendeia as redes sociais dividindo cristãos e cristão, judeus e judeus, não somente no Brasil, em Israel e no Mundo inteiro.

Vamos aos fatos nas Escrituras Sagradas, a única fonte realmente válida para tratar do Shabbat. Não vou publicar o que rabino esse ou aquele falaram do Shabbat, nem o que bispo, arcebispo, pastor, padre falou ou determinou, vou me deter aos fatos, a Bíblia.

Sábado – Shabbat, o sétimo dia, dia de descanso

Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera.

Genesis 2:2–3

No versículo acima podemos ver que o Sábado foi o primeiro elemento santificado na face da Terra por Adonai a cerca de 6000 anos atrás. Não foi o rabino ou o pastor quem disse isso, foi o Criador, ELE não disse que era relativo, que era Domingo ou Segunda-Feira, deixou claro, é o Sétimo Dia, ou seja, o Sábado – Shabbat.

O Sábado aparece como dia de descanso e dia santo em diversos outros textos bíblicos conforme podemos ler a seguir:

Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá. Mas aconteceu ao sétimo dia que saíram alguns do povo para o colher, e não o acharam.

Exodus 16:26–27

Vede, visto que o Senhor vos deu o sábado, por isso ele no sexto dia vos dá pão para dois dias; fique cada um no seu lugar, não saia ninguém do seu lugar no sétimo dia. Assim repousou o povo no sétimo dia.

Exodus 16:29–30

mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.

Exodus 20:10–11

O Sábado aparece nos 10 Mandamentos, ele é o Terceiro Mandamento, sendo que os dois primeiros são em relação a Adonai e sua Santidade, sendo ELE o único Deus que deve ser honrado e adorado. O Sábado é o primeiro mandamento que o homem deve cumprir em relação a algo terreno, o Sétimo Dia da Semana, daí podemos ver quão grande é sua importância.

Obviamente a lista de textos que reforçam é imensa e o Sábado aparece nas Escrituras Sagradas 165 vezes e mais de 180 vezes como Sétimo Dia. Ninguém tem autoridade para retirar o Sábado e sua Santidade da Bíblia, para re-afirmar isso o próprio Yeshua Hamashiach deixou claro sua posição em relação a Torah – a Lei.

Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.

Mateus 5:17

Ora, se Yeshua disse e cremos que ele veio cumprir a LEI, ou seja a Torah, ele veio para cumprir também o Sábado. Mas como se crê sendo ELE um no Eterno Criador, ELE veio estabelecer um novo padrão para o Sábado – Shabbat, não o padrão legalista e humano regido até então pela elite judaica religiosa, mas um padrão de graça e misericórdia.

E eis que estava ali um homem que tinha uma das mãos atrofiadas; e eles, para poderem acusar a Jesus, o interrogaram, dizendo: é lícito curar nos sábados? E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma só ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não há de lançar mão dela, e tirá-la? Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é lícito fazer bem nos sábados.

Mateus 12:10–12

Yeshua Hamashiach esclarece através deste evento de que algo supera a Lei, e isto se chama a Misericórdia, a Compaixão, o Amor Autêntico pelo Próximo, pela Criação e Criatura. Afim de demonstrar que a Torah regida por Adonai em pessoa é superior à Torah que é regida pelos homens, Yeshua não perde tempo, contraria seus conterrâneos e conclui com a cura do paralítico de mão:

Então disse àquele homem: estende a tua mão. E ele a estendeu, e lhe foi restituída sã como a outra.

Mateus 12:13

No texto a seguir aprendemos que praticar o bem, a misericórdia e servir a Adonai durante o Sábado – Shabbat, nada tem haver com violar o Sábado, ao contrário, torna-o ainda mais Santo. Pois a bondade e a misericórdia não são características do homem natural, caído no Éden, são características do Homem restaurado, estes atos são atos de louvor e verdadeira adoração ao Eterno. Praticar a graça e a misericórdia é mostrar ao Mundo e a Satã que Adonai é BOM e Verdadeiro.

Ele, porém, lhes disse: Acaso não lestes o que fez Davi, quando teve fome, ele e seus companheiros? Como entrou na casa de Deus, e como eles comeram os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem a seus companheiros, mas somente aos sacerdotes? Ou não lestes na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? Digo-vos, porém, que aqui está o que é maior do que o templo. Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem até do sábado é o Senhor.

Mateus 12:3–8

Devemos guardar o Domingo ou o Sábado?

Bem, em primeiro lugar, não vou citar nenhum texto que apoie esta idéia da guarda do Domingo, fazê-lo seria ser leviano e tentar adaptar as Escrituras Sagradas a uma doutrina satânica que é um dos pilares da doutrina da substituição. Alegar que o Povo de Israel foi substituído pela Igreja é negar a Palavra de Adonai desde Gênesis ao Apocalipse. Afim de tirar qualquer sombra de dúvida a respeito deste assunto, coloco a seguir um ponto final exposto pelo Apóstolo aos Gentios, Paulo – Shaul Hasheliach.

Pergunto, pois: Acaso rejeitou Deus ao seu povo? De modo nenhum; por que eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou ao seu povo que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e procuraram tirar-me a vida? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça.

Romanos 11:1–5

Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. Ora se o tropeço deles é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! Mas é a vós, gentios, que falo; e, porquanto sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério, para ver se de algum modo posso incitar à emulação os da minha raça e salvar alguns deles. Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?

Romanos 11:11–15

Os cultos devem ser no Domingo ou no Sábado?

A expressão Primeiro Dia da Semana aparecem 34 vezes na Bíblia, nenhuma vez no Tanach, ou seja, o Velho Testamento, muito menos na Torah, o Pentateuco. Agora vamos aos fatos. Muitos padres, pastores e cristãos alegam que descansam no Domingo porque Yeshua ressuscitou neste dia. Mas o texto não diz isso, diz que era o Fim do Sábado.

No fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.

Mateus 28:1

O problema grave para esta interpretação está no fato de que os cristão identificam como Yeshua – Jesus tendo sido crucificado quando iria começar o Sábado conforme podemos ler a seguir.

Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. Então o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo. Ora, o centurião, que estava defronte dele, vendo-o assim expirar, disse: Verdadeiramente este homem era filho de Deus. Também ali estavam algumas mulheres olhando de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago o Menor e de José, e Salomé; as quais o seguiam e o serviam quando ele estava na Galiléia; e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém. Ao cair da tarde, como era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado,

Marcos 15:37–42

Para o leitor leigo fica claro que aparentemente algo estava errado, se Jesus fosse crucificado na véspera do Shabbat – Sábado e ressuscita-se no Domingo de manhã, como poderia ter ficado morto por três dias? Bem a resposta para isso está no próprio texto. O Dia da preparação conforme podemos ler nos revela que não se tratava de véspera de um Sábado comum, mas sim de um Sábado Festivo, estamos falando da expressão Sábado como descanso da Festa de Pessach, ou seja, o principal dia da Páscoa Judaica e não do sétimo dia da Semana. O que reforça ainda mais este argumento é entendermos que quando Mateus fala do dia em que as mulheres visitam o túmulo após a ressureição, ele deixa claro que aquela era a manhã do Primeiro Dia da Semana. Ele fez isto para não confundir aquele Sábado com o anterior. Um era o Sábado da Festa de Pessach e outro era o Sétimo Dia da Semana. Sendo assim, a compreensão deste texto dentro da ótica judaica resolve-nos dois problemas, o primeiro é a questão dos três dias, o o segundo é a questão do Dia Santo, que continuou sendo o mesmo, o Shabbat, o Sábado.

É importante salientar que em Israel, desde a antiguidade, os dias não começam pela manhã, mas ao Por-do-Sol. O que desfaz completamente o conceito de que o Dia em que Yeshua ressuscitou foi o Domingo. Sim é verdade que as mulheres compraram os perfumes e aromas no Motze Shabbat, ou seja, após o Por-do-Sol, e visitaram o sepulcro no dia seguinte pela manhã, mas em nenhum texto diz claramente que Yeshua ressuscitou no Domingo pela manhã.

Mas já no primeiro dia da semana, bem de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado. E acharam a pedra revolvida do sepulcro. Entrando, porém, não acharam o corpo do Senhor Jesus.

Lucas 24:1–3

Note que em todos os textos, todos quando chegaram ao túmulo durante a madrugada de Domingo, já encontraram-no vazio. Portanto, alegar que Yeshua ressuscitou no Shabbat pode ser uma alegação falsa, gostaríamos de salientar que nosso desejo é nos determos somente no texto e nada mais.

Ali, pois, por ser a vespera do sábado dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro, puseram a Jesus.

No primeiro dia da semana Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra fora removida do sepulcro.

João 19:42–20:1

Os cristão de uma forma geral utilizam como base para o Domingo como dia de culto apenas estes dois versículos a seguir:

No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso até a meia-noite. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder, conforme tiver prosperado, guardando-o, para que se não façam coletas quando eu chegar.

Atos 20:7; e I Corintios 16:2

No primeiro texto se trata de um caso especial, onde Paulo em visita, precisou se reunir com os crentes pois tinha que prosseguir viagem no dia seguinte. No segundo caso, ele pede para ordenar o recolhimento de ofertas no primeiro dia por um motivo óbvio, o constrangimento, evitando que se trate de dinheiro no Shabbat – Sábado, que era o costume de apenas tratar de coisas espirituais e evitava-se ligar com dinheiro e ofertas, seguindo o exemplo de Yeshua que criticou o comércio e a ganância no Templo.

Na realidade não há nenhum texto em toda a Bíblia que nos diga que o Dia de Culto deve ser o Sábado ou o Domingo, o culto no templo era feito de fato todos os dias. E, conforme podemos ler acima, os Sacerdotes prestavam culto também no Sábado. A questão do Sábado não é uma questão de dia de Semana, mas cim uma questão de viver em obediência e Fé nas leis de Adonai que são imutáveis conforme o próprio Yeshua declarou:

Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.

Mateus 5:18

O Dia do Senhor

Uma outra alegação falsa utilizada para justificar a adoração no Domingo é a expressão o Dia do Senhor que aparece em toda a Bíblia 27 vezes, quase todas elas associado com um dia profético futuro onde Adonai se manifestará e julgará as nações estabelecendo a justiça eterna. Em apenas uma passagem dá a entender que se trata de um dia de semana conforme podemos ler a seguir:

Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta

Apocalipse 1:10

Infelizmente, de forma leviana, muitos associaram esta passagem ao Domingo, o que realmente não tem base alguma para isso. Até mesmo porque o Dia do Senhor sempre foi tratado como Shabbat – Sábado, pois aquele grande dia da Eternidade também é chamado pelo autor do livro dos Hebreus como o Dia do Descanso, literalmente em Hebraico, Sábado – Shabbat. Ainda é muito importante ressaltar que o autor de Apocalipse era o Discípulo e Apóstolo João. Ele era um seguidor fiel de Yeshua e da Lei Judaica, portanto, não confundiria de forma alguma o Dia do Senhor com qualquer outro dia que não fosse o Shabbat, pois ele mesmo ouviu Yeshua dizer:

“Porque o Filho do homem até do sábado é o Senhor.

Mateus 12:8

Uma questão de fé e atitude

Os sacerdotes tinham o privilégio de adorar servindo no Templo mesmo no Shabbat. Os sacerdotes serviam a semana inteira, sobre eles regiam leis diferentes das leis que regiam sobre o povo. A pergunta que devemos fazer é quando desejamos e podemos adorar? Ser um verdadeiro adorador e servo autêntico de Adonai não depende na realidade de dia algum, mas sim, depende de obediência. Santificar o Shabbat não significa guardar o Sábado aos moldes da lei judaica. Ao contrário, Yeshua mostrou-nos que existe uma forma mais excelente de guardá-lo, praticando Misericórdia e o Bem, glorificando e exaltando o Seu Santo Nome. Manifestando seu amor aos que necessitam. Obviamente que se você se encontra limitado por questões sociais de ter sua folga e seu dia de adoração no Sábado, porque todas as empresas exigem dos trabalhadores trabalharem neste dia, sua sobrevivência é mais importante. Isto está em conforme com o que Yeshua disse, o Sábado foi feito para o Homem. Mas se você pode optar pelo Shabbat, faça-o, prefira sempre o obedecer ao sacrificar. Isto não necessariamente quer dizer que sua comunidade, sinagoga ou igreja precisam a partir de agora se reunir no Sábado, de fato, os discípulos de Yeshua não se reunião somente no Sábado ou no Domingo, eles o faziam todos os dias conforme podemos ler a seguir:

Todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus, o Cristo.

Atos 5:42

Argumentava, portanto, na sinagoga com os judeus e os gregos devotos, e na praça todos os dias com os que se encontravam ali.

Atos 17:17

Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente.

Romanos 14:5

Então, o que aprendemos é que o legalismo do Domingo é pecado, e o legalismo do Sábado também é pecado. O mais importante é sabermos que de fato o Dia Santo é o Sábado, não o Domingo. A obediência é algo que agrada profundamente ao Eterno, porém devemos tornar nossas vidas santificadas todos os dias. Todo dia é dia de nos apresentarmos ao Senhor em Louvor e Adoração. Como Sacrifício Vivo perante ELE. Se você escolher santificar o Domingo isso é algo bom, porém se santificar o Sábado é algo muito melhor. Mas se santificar Todos os Dias, isto é algo maravilhoso!

Desde Sião,

Miguel Nicolaevsky

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