Tell Heshbon, Hesbom a Capital do reino Amorreu – Programa a Bíblia Viva

Nosso programa A Bíblia Viva tem o prazer de apresentar a vocês Hesbom ou Heshban em hebraico: חשבון era uma antiga cidade localizada a leste do rio Jordão, no que é hoje o reino da Jordânia.

Hesbom hoje, é uma ruína, com o seu antigo homônimo árabe, Tell Ḥesbān, localizado a cerca de 9 km ao norte de Madaba e 20 quilômetros a sudoeste de Aman, onde ficava a antiga capital dos Amonitas.

O Tell Heshban ou Hesbom está localizado além do Jordão, no platô da Terra de Moabe. A cidade era fronteiriça por onde os israelitas passaram a caminho da Terra Prometida, e foi designada anteriormente para a tribo de Rúben, e posteriormente depois foi dada à tribo de Gade, por fim se tornou uma cidade levítica para os meraritas.

Heshbon é mencionado na Bíblia, nos Livros de Números e Deuteronômio como a capital do rei amorreu Siom (também conhecido como Sihon em Hebraico).

A relato bíblico registra a história da vitória israelita sobre Siom durante o tempo do Êxodo, sob a liderança de Moisés. Hesbom se destaca por sua importância como a capital de Siom, rei dos amorreus:

Dali partiram, e acamparam-se no vale de Zerede. E, partindo dali, acamparam-se além do Arnom, que está no deserto e sai dos termos dos amorreus; porque o Arnom é o termo de Moabe, entre Moabe e os amorreus. Pelo que se diz no livro das guerras do Senhor: Vaebe em Sufa, e os vales do Arnom, e o declive dos vales, que se inclina para a situação Ar, e se encosta aos termos de MoabeDali vieram a Beer; esse é o poço do qual o Senhor disse a Moisés: Ajunta o povo, e lhe darei água. Então Israel cantou este cântico: Brota, ó poço! E vós, entoai-lhe cânticos! Ao poço que os príncipes cavaram, que os nobres do povo escavaram com o bastão, e com os seus bordões. Do deserto vieram a Matana; de Matana a Naaliel; de Naaliel a Bamote; e de Bamote ao vale que está no campo de Moabe, ao cume de Pisga, que dá para o deserto. Então Israel mandou mensageiros a Siom, rei dos amorreus, a dizer-lhe: Deixa-me passar pela tua terra; não nos desviaremos para os campos nem para as vinhas; as águas dos poços não beberemos; iremos pela estrada real até que tenhamos passado os teus termos. Siom, porém, não deixou Israel passar pelos seus termos; pelo contrário, ajuntou todo o seu povo, saiu ao encontro de Israel no deserto e, vindo a Jaza, pelejou contra ele. Mas Israel o feriu ao fio da espada, e apoderou-se da sua terra, desde o Arnom até o Jaboque, até os amonitas; porquanto a fronteira dos amonitas era fortificada. Assim Israel tomou todas as cidades dos amorreus e habitou nelas, em Hesbom e em todas as suas aldeias. Porque Hesbom era a cidade de Siom, rei dos amorreus, que pelejara contra o precedente rei de Moabe, e tomara da mão dele toda a sua terra até o Arnom. Pelo que dizem os que falam por provérbios: Vinde a Hesbom! edifique-se e estabeleça-se a cidade de Siom! Porque fogo saiu de Hesbom, e uma chama da cidade de Siom; e devorou a Ar de Moabe, aos senhores dos altos do Arnom. Ai de ti, Moabe! perdido estás, povo de Quemós! Entregou seus filhos como fugitivos, e suas filhas como cativas, a Siom, rei dos amorreus. Nós os asseteamos; Hesbom está destruída até Dibom, e os assolamos até Nofá, que se estende até Medeba. Assim habitou Israel na terra dos amorreus.

Numeros 21:12–31

Passagens semelhantes aparecem em Deuteronômio e Josué, com a ênfase principal sendo a vitória dos israelitas sobre o rei Siom, no lugar de Hesbom. Moisés morreu logo após a vitória, depois de ver a “terra prometida” do topo do Monte Nebo.

Após a morte de Moisés, Hesbom tornou-se uma cidade na fronteira entre as terras destinadas à tribo de Rúben e à tribo de Gade. Evidência bíblica adicional sugere que a cidade mais tarde ficou sob controle moabita, como mencionado por Isaías 15:4 e Jeremias 48:34 em suas profecias contra o Reino de Moabe.

Oráculo acerca de Moabe. Porque Ar foi destruída numa noite, Moabe está desfeita; porque Quir foi destruída numa noite, Moabe está desfeita. Subiu a filha de Dibom aos altos para chorar; por Nebo e por Medeba pranteia Moabe; em todas as cabeças há calva, e toda barba é rapada. Nas suas ruas cingem-se de saco; nos seus terraços e nas suas praças todos andam pranteando, e choram abundantemente. Assim Hesbom como Eleale andam gritando; até Jaaz se ouve a sua voz; por isso os armados de Moabe clamam; estremece-lhes a alma. O meu coração clama por causa de Moabe; fogem os seus nobres para Zoar, qual uma novilha de três anos; pois vão chorando pela encosta de Luíte; no caminho de Horonaim levantam um grito de destruição. As águas de Ninrim são desoladas; secou-se a relva, definhou a erva verde, e não há verdura alguma. Pelo que a abundância que ajuntaram, e o que guardaram, para além do ribeiro dos salgueiros o levam. Pois o pranto já rodeou os limites de Moabe; até Eglaim chegou o seu clamor, e ainda até Beer-elim o seu rugido. Pois as águas de Dimom estão cheias de sangue; pelo que ainda acrescentarei mais a Dimom, um leão contra aqueles que escaparem de Moabe, e contra o restante que ficou na terra.

Isaías 15:4

Heshbon também aparece no Cântico de Salomão, onde o poeta compara os olhos de seu amor as “Piscinas de Hesbom”, que se referem às magníficas piscinas de peixes de Hesbom.

O teu pescoço como a torre de marfim; os teus olhos como as piscinas de Hesbom, junto à porta de Bate-rabim; o teu nariz é como torre do Líbano, que olha para Damasco.

Cânticos dos Cânticos 7:4

Flávio Josefo muito frequentemente usa a forma Esbonita ou Sebonita. De acordo com Josefo, a cidade de Hesbom estava na posse dos judeus desde que Alexandre Janno, o Macabeu (106-79 a.C.) a tomou e fez dele uma cidade judaica. Ele também cita que Herodes, o Grande, teve jurisdição sobre a cidade e estabeleceu ali um forte. No vídeo, as imagens das ruínas igreja estão sobre o que eram as construções do período de Herodes, no Primeiro Século da EC.

Depois da Grande Revolta 68-70 EC, o país foi invadido pela tribo que Plínio chama de Arabes Esbonitae, que significa “árabes de Hesbom”.  E o local foi restaurado sob o nome de Esboús ou Esboúta, e é mencionado estar localizado entre as cidades da Arábia Romana a caminho de Petra de Ptolomeu.

Sob o domínio bizantino, os relatos do Onomasticon de Eusébio, a cidade tornou-se uma das notáveis na província da Arábia; George de Chipre refere-se a ele no século VII e foi de Hesebon que os marcos na estrada romana para Jericó foram contados.

No início da dominação árabe, Hesebon ainda era a principal cidade da Belka, um território correspondente ao antigo Reino de Sihon. Parece que ela não foi conquistada pelos cruzados.

Ela está localizada em um dos mais altos cumes das montanhas de Moabe. Além dos muitos indícios de diversos períodos, foi descoberta nela as ruínas de um grande reservatório localizado a leste do local, e abaixo da cidade há uma fonte. A cidade também foi mencionada no mosaico do século III da Rehov que foi descoberto em Israel.

As primeira escavações arqueológicas sérias começaram em 1968 em Tell Hesban, este foi o começo do que se tornou a “Expedição de Heshbon”, um trabalho arqueológico que foi patrocinado pela Universidade Andrews e sob a direção das Escolas Americanas de Pesquisa Oriental (ASOR).

A expedição de Heshbon continuou com diversas temporadas até 1976. Após o término das escavações da Expedição de Heshbon, o trabalho arqueológico no local continuou em 1996 sob o consórcio do Projeto Madaba Plains. O local continuou a ser escavado nos anos 2010; o trabalho também está em andamento para apoiar o turismo arqueológico no local.

Duas igrejas foram descobertas da era bizantina, e ambas as igrejas revelaram restos impressionantes de pisos de mosaico. Particularmente interessante é o mosaico nilótico (usando motivos originários dos arredores do rio Nilo) do presbitério da Igreja do Norte, onde os artistas criaram um motivo de uma rolinha montada em um ninho feito de uma flor imaginária.

Na parte sua da Acrópolis, junto aos degraus que descem do Tell, foi descoberto um muro maciço de uma fortificação dos Séculos XI, X e IX AC, ou seja, os períodos equivalentes a Saul, Davi e Salomão. Foram descobertos também alguns indícios de habitações no período de Bronze Tardio, que está relacionado justamente com o período da entrada do Povo de Israel na região.

Tell Hesbon é sem dúvida alguma um lugar impressionante, que demonstra como o relato bíblico é preciso. Nossa esperança é que este programa tenha servido para revelar mais alguns aspectos do fundo geográfico, histórico e arqueológico dos relatos bíblico.

Referências:

“Tall Hisban overview”. Madaba Plains Project. Retrieved 21 November 2014.
Preservation and Restoration Archived December 1, 2008, at the Wayback Machine
Basema Hamarneh, “The River Nile and Egypt in the Mosaics of the Middle East” christusrex.org